Google Street View e Instituições Bancárias: teorias da conspiração

O Google Street View finalmente chegou ao Brasil. Já há algum tempo disponível nas maiores cidades do chamado “primeiro mundo”, este interessante aplicativo web permite que usuários “entrem” no Google Maps, navegando por ruas e avenidas como se lá estivessem. Parece ótimo, não? Para quem ainda não experimentou, vale a pena conferir. Basta acessar o Google Maps, procurar um endereço (o serviço somente está disponível para São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) e arrastar o bonequinho alaranjado que fica sobre a barra de zoom para qualquer local do mapa. Pronto. Parece mágica.

Sem dúvida, o fotografar todas as ruas de três das maiores cidades Brasileiras em 360 graus não deve ser trabalho fácil. Para a tarefa, o Google destacou 30 carros equipados com conjuntos de nove câmeras, sensores infravermelho, GPS e computador, conduzidos por 60 motoristas que se revezavam de segunda a segunda, das 10 às 14hs. Um verdadeiro pesadelo logístico.

Oito meses depois do início do mapeamento das ruas de São Paulo e Rio de Janeiro, temos à nossa disposição mais uma ferramenta para facilitar nossa vida. Agora, quando precisamos procurar um endereço, não apenas temos mapas e rotas a um clique de distância, também podemos procurar pontos de referência e conhecer os arredores de nosso destino sem o menor esforço.

Mas, como quase tudo na vida, existe uma pegadinha. E, pra muita gente, foi literalmente isso mesmo. Como todas as fotos foram tiradas de um carro em movimento, e a vida das cidades não para para a passagem do carro do Google, cenas um tanto peculiares foram capturadas. Tem de tudo: mulheres com os seios à mostra, casais namorando, policial dirigindo enquanto fala ao telefone, até cadáveres ensanguentados em cenas de crime (veja algumas em PorraStreetView).

Bizarrices à parte, a nova ferramenta fornece combustível para os partidários das teorias da conspiração: o Google vai dominar o mundo. Eles sabem o que você busca, eles sabem do que você gosta. Eles sabem o que e pra quem você escreve (gmail, gtalk), sabem do seu trabalho e estudo (google docs), sabem para onde você vai (google maps). E vão saber cada vez mais.

Podemos aqui novamente tentar traçar um paralelo com o mundo “real”. Você trabalha, dá duro o mês inteiro, acorda cedo, aguenta chefe cobrando meta, almoça correndo pra terminar o relatório, faz hora extra pra atender o prazo, e depois de passar por tudo isso coloca seu suado dinheiro em um banco. E faz suas compras com cartões de crédito e débito. Além da troca de informação necessária à conclusão da transação financeira, você sabe o que acontece com seus dados? Eu não sei. Mas o banco sabe o que você comprou, por onde passou, se gosta mais de comida congelada ou de vegetais hidropônicos.

Em resumo: tenho mais medo de banco do que do Google.

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